Estados Unidos e China fecharam, na última semana de setembro, um acordo para reduzir tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos de cada lado e estenderam a trégua comercial até 10 de janeiro de 2027. Para quem exporta ou importa no Brasil, o efeito não é igual para todos: a soja brasileira segue protegida, mas carnes, milho, algodão e frango passam a disputar o comprador chinês com os americanos.

O que foi acordado

O acordo saiu da visita de Estado do presidente Xi Jinping a Washington, encerrada em 26 de setembro, e faz parte de um consenso de oito pontos entre os dois governos. Os principais itens:

  • Modelo "30 por 30": cada país passa a importar do outro até US$ 30 bilhões em bens considerados não sensíveis com tarifas reduzidas. Somados, são US$ 60 bilhões em comércio.
  • Listas de produtos: 77 itens chineses e mais de 1.600 itens americanos foram indicados para tratamento tarifário mais favorável.
  • Trégua estendida: a trégua tarifária, que venceria em 10 de novembro, foi prorrogada por dois meses, até 10 de janeiro de 2027.
  • Carvão: a China se comprometeu a importar 10 milhões de toneladas de carvão americano em 2027 e novamente em 2028.
  • Novos canais: criação de um conselho de comércio bilateral e de um diálogo sobre inteligência artificial.

Quais produtos entram

Quem corta a tarifaSobre quais produtos
China, sobre produtos dos EUA Carne bovina, suína e de frango, milho, trigo, sorgo, óleos vegetais, farelo de soja, laticínios, ovos, pescados, madeira, cosméticos e dispositivos médicos, entre outros
EUA, sobre produtos da China Pequenos eletrodomésticos (como micro-ondas), brinquedos, decoração de fim de ano, cadeirinhas infantis para carro, balanças e flores artificiais, entre outros

Um ponto chamou a atenção do mercado: a soja em grão ficou de fora. A China mantém uma tarifa retaliatória de 10% sobre a soja americana, que não se aplica à soja do Brasil nem de outros países sul-americanos.

O que isso significa para o exportador brasileiro

Soja: a vantagem brasileira continua

A exclusão da soja em grão preserva o principal fluxo agrícola entre Brasil e China. Ainda assim, vale acompanhar: a China já vinha retomando compras de soja americana em acordos anteriores, e analistas projetam que, se o comércio EUA–China se normalizar, as exportações brasileiras de soja em 2026 podem cair entre 7 e 10 milhões de toneladas em relação a 2025.

Carnes, milho, sorgo e algodão: mais concorrência

Nesses produtos, o cenário muda. Durante a guerra tarifária, o Brasil ganhou espaço na China enquanto os produtos americanos pagavam tarifas mais altas. Com a redução, os exportadores americanos voltam a competir em condições mais próximas. No caso da carne bovina, a pressão se soma ao sistema de cotas que a China adotou em 2026, com tarifa maior acima de determinados volumes.

Para quem exporta esses produtos, o momento pede atenção a preço, prazo de entrega e confiabilidade da cadeia logística, que passam a pesar mais na decisão do comprador chinês.

Importadores: efeito indireto

O corte americano sobre produtos chineses não altera as tarifas de importação no Brasil. O efeito para o importador brasileiro é indireto: mudanças nos fluxos entre EUA e China podem mexer na demanda por espaço em navios e nos fretes das rotas asiáticas nos próximos meses.

Uma trégua, não um tratado. O prazo é curto: 10 de janeiro de 2027. Trump e Xi devem se reunir novamente na cúpula da APEC, em Shenzhen, em novembro, e no G20, em Miami, em dezembro. As condições podem mudar a partir dessas conversas.

O que acompanhar nos próximos meses

  • Publicação das listas finais de produtos e das datas em que as novas tarifas passam a valer.
  • Encontros de novembro e dezembro (APEC e G20), que podem prorrogar ou alterar a trégua.
  • Volume de compras chinesas de carnes, milho e algodão americanos, que indica o tamanho real da concorrência.
  • Frete e espaço nas rotas asiáticas, que podem oscilar com a mudança nos fluxos entre EUA e China.

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Fontes

Este artigo tem caráter informativo e reflete as informações públicas disponíveis em 29 de setembro de 2026. Condições tarifárias podem mudar; confirme os detalhes da sua operação com a nossa equipe antes de tomar decisões.