Os custos de transporte pesaram no bolso de quem importa e exporta em 2026. Uma pesquisa da CNI mostrou que o custo subiu para 95% das indústrias no primeiro trimestre. Agora o cenário começa a mudar, mas não do mesmo jeito no mar e no ar. Veja o panorama de outubro e o que ele significa para a conta da sua empresa.

Frete marítimo: passou do pico, mas segue alto e instável

  • Preço: o índice composto da Drewry ficou em torno de US$ 4.485 por contêiner de 40 pés em meados de outubro, com altas e baixas de uma semana para outra. Na Ásia–Europa o frete caiu por várias semanas seguidas antes de uma leve recuperação; na Ásia–Estados Unidos o mercado segue mais firme.
  • Mar Vermelho: os armadores estão voltando ao Canal de Suez. Cerca de 63% da capacidade Extremo Oriente–Europa já passa por lá (Alphaliner), o que encurta a viagem em torno de dez dias e libera espaço nos navios. O retorno pode ser desfeito se a situação na região piorar.
  • Mais navios a caminho: a frota mundial deve crescer quase 14% até o fim de 2027 (BIMCO). Isso tende a pressionar o preço para baixo no ano que vem.
  • Fim de ano: a imprensa especializada aponta que os armadores buscam novos reajustes, e conseguir espaço para embarcar continua difícil em algumas rotas, mesmo com o preço estável.

Esses números são globais. O frete das rotas que saem ou chegam ao Brasil nem sempre acompanha os índices, por isso a cotação por rota continua sendo a referência.

Frete aéreo: demanda forte e combustível pesando

  • A demanda por carga aérea cresceu 4,4% em agosto, e 5,1% na América Latina (IATA), com a capacidade praticamente parada.
  • O preço à vista global está cerca de 34% acima do ano passado (WorldACD, semana de 5 a 11 de outubro).
  • Companhias e integradoras, como Cathay Pacific, JAL e DHL, ajustaram as sobretaxas de combustível em outubro.

Na prática, a sobretaxa de combustível pode pesar mais na fatura do que o frete-base. Uma cotação barata no papel pode ficar cara no fechamento.

Portos brasileiros: o custo da espera

Os números variam conforme a fonte e o método de medição, mas o quadro pede atenção, principalmente no Sul:

PortoO que foi registradoFonte
ItajaíEspera mediana subiu cerca de 42% em uma semana (de 0,85 para 1,21 dia)Portcast, 4 a 10 de outubro
NavegantesMédia de cerca de 5 dias de navio aguardandoKuehne+Nagel, 30/09 a 06/10
SantosEspera menor na mesma semana, com picos por mau tempoPortcast e Everstream, outubro

Navio parado significa prazo maior e, para quem importa, risco de pagar mais em armazenagem, sobrestadia (demurrage) e detenção de contêiner. Segundo o Valor, só o demurrage no Brasil somou US$ 2,3 bilhões em 2024.

Tarifas dos EUA: mais um custo para o exportador

Desde julho, os Estados Unidos aplicam tarifa adicional sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo o MDIC, cerca de 23% das exportações brasileiras ao mercado americano são afetadas, e as vendas ao país caíram 13% no primeiro semestre. Brasil e EUA criaram um grupo de trabalho em 30 de setembro, mas ainda não houve anúncio de redução de tarifas. Quem exporta para lá sente o frete e a tarifa ao mesmo tempo.

O que isso significa para a sua empresa

SituaçãoOnde o aumento apareceO que olhar
Importação por marFrete, taxas de destino, espera no porto, armazenagemCusto total da carga entregue, não só o frete da cotação
Importação por arSobretaxa de combustível e prazo de revisãoQual índice é usado e com que frequência a sobretaxa é reajustada
Exportação por marReserva de espaço, rota e prazo de trânsitoGarantia de embarque e data de chegada, não só o preço
Exportação para os EUAFrete somado à tarifa adicionalMargem real depois das duas coisas
Empresas com pouco estoqueAtraso no portoCapital de giro parado dentro do navio

O efeito mais comum nas empresas de médio porte está no caixa: a mercadoria chega mais tarde, as taxas extras não estavam na conta e a margem aperta.

O que fazer agora

  1. Peça cotação por rota e por porto, com as taxas de destino detalhadas. Compare o custo total, não só o frete.
  2. Prefira validade curta e revisão frequente em vez de travar preço por muito tempo. A tendência para 2027 é de queda, mas não está garantida.
  3. No aéreo, pergunte como a sobretaxa de combustível é calculada e quando é revista.
  4. Confirme quem paga o quê se a carga for descarregada em outro porto ou ficar parada.
  5. Planeje o estoque com folga nas rotas e portos com histórico de fila.
  6. Se exporta para os EUA, recalcule a margem com frete e tarifa juntos.

Como a Arpex BR pode ajudar

A Arpex BR coordena operações de transporte marítimo FCL e LCL, transporte aéreo, desembaraço aduaneiro e seguro de carga para importadores e exportadores, com atendimento personalizado desde 2015. Se você quer revisar uma proposta de frete ou simular o custo de uma carga, fale com a nossa equipe. A resposta comercial sai em até 24 horas.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e reflete as informações públicas disponíveis em 22 de outubro de 2026. Valores e prazos mudam rápido; confirme os detalhes da sua operação com a nossa equipe antes de tomar decisões.